Lavatory – Lovestory (2007)

Ainda não consegui assistir a todos os curtas de animação que concorreram ao Oscar 2009, apenas ao vencedor do prêmio “La Maison en Petits Cubes”, “Presto” e “Lavatory – Lovestory”.

Como mencionei na observação ao fim do post sobre o Oscar, a produtora de “La Maison…” solicitou a retirada de todas as cópias do filme que estavam disponíveis no YouTube, o que é uma pena, já que esse tipo de trabalho dificilmente chega ao público em geral (esceto no caso da Pixar, que sempre exibe seus curtas em conjunto com os longas do ano).

Entre os três que assisti, realmente “La Maison…” é o melhor, pois é um trabalho que apresenta uma sensibilidade maravilhosa, com uma técnica aparentemente simples e uma trilha excepcional, que nos faz refletir sobre a nostalgia da passagem do tempo… de todos os importantes momentos pelos quais passamos durante nossas vidas e que não voltam mais. Ainda vou dar um jeito de upar novamente na rede.

Para aqueles que ainda não viram, segue abaixo a animação russa “Lavatory – Lovestory”, de Konstantin Bronzit, que concorreu este ano. A história é bem bacaninha e muito bem executada, mas qualquer outro comentário que eu faça a respeito dela poderia estragar o final. 😉

 

Lavatory – Lovestory (Ubornaya istoriya – lyubovnaya istoriya) – (2007)
(assistam em HD)

 

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Watchmen: O Filme (2009)

Ok… vou aproveitar a “pausa” em LOST e postar alguma coisa diferente… senão vão achar que este é mais um blog “especializado” na série… 😉

No último fim de semana, tive a oportunidade de assistir Watchmen: O Filme (Watchmen), um dos filmes mais esperados do ano e que já se tornou o filme com censura acima de 17 anos com estréia no maior número de salas da história, nos EUA… e devo admitir que também estava muito ansioso pela estréia, tanto quanto preocupado, afinal se trata da mais ambiciosa e arriscada adaptação direta de uma história em quadrinhos para o cinema, considerando que a obra escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons é uma das mais importantes séries em quadrinhos já escrita, ao lado de “Sandman” (de Neil Gaiman) e “O Cavaleiro das Trevas” (de Frank Miller), e uma das poucas obras dessa mídia a ser reconhecida como “obra literária”.

A história se passa em uma “realidade alternativa”, em que os EUA venceram a Guerra do Vietnã e Nixon continua como presidente nos anos 80, durante o período de maior tensão da Guerra Fria. No passado dessa realidade, algumas pessoas normais (sem nenhum tipo de poderes sobre-humanos) decidiram se transformar em vigilantes mascarados, como uma referência, inclusive, à própria era de ouro dos quadrinhos. 

Cerca de 30 anos após o surgimento desses heróis, a população se revoltou contra eles, em função de uma greve geral dos agentes policiais, que afirmavam que a atuação desses vigilantes atrapalhava o bom andamento do trabalho dos representantes da lei. Por esse motivo, através de um decreto governamental, a atuação dos vigilantes passa a ser considerada ilegal, exceto para aqueles que trabalhassem para o governo.

Passados 20 anos desde o decreto, o ex-vigilante conhecido como Comediante é morto, o que impulsona o paranóico Rorschach,  único vigilante que continua na ativa, a iniciar uma investigação a respeito de um possível “assassino de mascarados”.

Felizmente, Zack Snyder não exagerou tanto na artificialidade estética quanto parecia… pelo contrário, buscou (assim como na obra original) conferir um tom mais realista e sombrio ao visual do filme e às situações apresentadas, desde o complexo caráter psicótico de Rorschach, à ambiguidade sexual de Ozzymandias. 🙂

Porém devemos considerar que o filme não é perfeito, principalmente em função de alguns aspectos que, sinceramente, me incomodaram ao longo da projeção: a péssima seleção de músicas e o exagero no “gore”. E quando digo que “incomodaram”, é porque realmente me incomodoram enquanto assistia… quem já assistiu filme comigo sabe como reajo a algumas coisas. 😉

De maneira geral, a trilha até que se encaixa bem às situações, mas em algumas delas não passa aquilo que deveria, seja a urgência ou importância do momento ou mesmo o peso dramático e emocional que deveria ter.

Além disso, existe a “mania” de Snyder de incluir cenas de violência exagerada que, embora funcionem bem em um filme como “300”, ficaram um pouco deslocadas pela maneira gratuita como foram incluídas neste, como se isso fosse um pré-requisito para que um filme seja considerado “adulto”.

Ainda assim, um dos maiores problemas que a adaptação enfrentava era mesmo a questão da quantidade de informação em relação ao tempo de duração, que foi contornado de maneira muito satisfatória em pouco mais de 2h30 de filme. Snyder e os roteiristas conseguiram manter a maioria dos eventos centrais do original, sem deturpar a história como ocorreu em outra adaptação de uma HQ de Alan Moore, “V de Vingança”, conferindo aos personagens toda a profundidade necessária para justificar suas relações. Mesmo a alteração do final não foi prejudicial, deixando a resolução com o mesmo teor e “significado” do original, apenas com algumas adequações (ainda mais se considerarmos a impossibilidade de explicar tudo aquilo que levava ao evento final dos quadrinhos).

Enfim, um óitmo filme, extremamente bem desenvolvido e que vale muito a pena ser visto… 😀

Avaliação: 4/5

 

* AVISO: CONTÉM SPOILERS *

Quatro dessas situações que me deixaram extremamente descontente com a escolha da música:

  •  o enterro do Comediante;
  • o momento da revolta da população;
  • a cena “romântica” (sexo mesmo) entre Dan e Laurie na nave;
  • o ataque do Dr. Manhattan no Vietnã, embalado pela música de “Apocalypse Now”…

POOOOODRE!!!

Filmes que andei assistindo…

Nossa… quero mesmo escrever um post sobre Watchmen e, se possível, Quem quer ser um milionário… dois filmes que gostei muito, mas que deixaram um pouco a desejar…

No caso de Watchmen, quando foi liberado clipe com a cena da luta na prisão, alguns dias antes do lançamento oficial do filme, fiquei muito desapontado pela plasticidade exagerada da cena, assim como havia ficado ao ver um clipe de 300 (outro filme do mesmo diretor), em uma situação parecida.

A luta em Watchmen apresentava uma coreografia ainda mais artificial que as apresentadas em 300, mas procurei evitar que isso influenciasse demais em minhas espectativas. No caso de 300, apesar de não ter gostado da cena “solta”, gostei muito do filme e, dentro do contexto estético da obra, ela se encaixou muito bem… 🙂

Por falar em espectativas, aí está um problema… acho que, quanto menos criarmos epsectativas (boas ou ruins) em relação aos lançamentos (filmes, jogos, música, etc.), melhores serão as chances de um aproveitamento ideal da obra… mesmo que a gente saiba que é muito difícil não criá-las… 😉

De qualquer forma, sobre Watchmen devo postar algo, entre hoje e amanhã… tomaaaaaara… 

 

Peanutchmen o_O

Oscar® 2009

Cerimônia com algumas inovações e poucas surpresas na premiação
 

Com uma duração aproximada de 3h30, a festa de entrega da 81ª edição do Annual Academy Awards, o Oscar 2009, aconteceu em meio a algumas inovações em seu formato e estrutura, incluindo a alteração do padrão de entrega dos prêmios.

Nesta última edição, para as premiações de performance (melhor ator, melhor atrizmelhor ator coadjuvantemelhor atriz coadjuvante) foram escolhidos 5 vencedores em outros anos, incluindo os do ano passado, para a apresentação dos indicados e entrega do prêmio ao vencedor. A utilização desse esquema foi interessante, pois cada um dos indicados era apresentado por um dos convidados, fazendo com que todos os concorrentes recebessem uma pequena homenagem por estarem ali, através de bem humorados e/ou emotivos elogios.

Apesar dessa e algumas outras inovações no formato do evento, a festa correu de forma relativamente previsível, sem muitas surpresas (duas?) e com poucos momentos realmente emocionantes, a cerimônia acabou se tornando um tanto quanto enfadonha este ano.

Uma das melhores piadas da festa foi feita por Jack Black, que apresentou os indicados ao prêmio de melhor animação ao lado de Jennifer Aniston. Quando Aniston reclamava que as animações poderiam “acabar” com o trabalho dos atores, Black lhe diz que está ganhando muito dinheiro com elas. Ao ser questionado sobre como estava conseguindo isso, ele respode: “Ganho dinheiro fazendo as dublagens da Dreamworks e depois aposto nas premiações da Pixar”. Tenho quase certeza que o pessoal da Dreamworks não gostou muito da brincadeira, até porque, assim que abriram o envelope e confirmaram que o “Oscar goes to… WALL•E“, ele comemorou no palco. Black é impagável… 😀

Como não vi todos os filmes que concorriam este ano, não farei comentários mais detalhados a respeito de cada premiação, mas devo dizer que fiquei extremamente aliviado ao constatar que “O Curioso Caso de Benjamin Button” não ganhou mais do que 3 prêmios técnicos (que, ainda assim, poderiam ter sido dados a outros filmes). 😉

Como já era esperado, o filme de Danny Boyle, “Quem Quer Ser um Milionário”, levou 8 prêmios, das 10 categorias a que foi indicado, incluindo a de melhor filme e melhor diretor e, também como esperado, a família de Heath Ledger recebeu o prêmio de melhor ator codjuvante conferido a ele por seu Coringa, em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.  Segue abaixo,  a lista completa dos premiados:

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Sean Penn – Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Atriz
Kate Winslet – O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger – Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz Coadjuvante
Penelope Cruz – Vicky Cristina Barcelona

Melhor Diretor
Danny Boyle – Quem Quer ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original
Dustin Lance Black – Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Roteiro Adaptado
Quem Quer ser um Milionário?, Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro
Departures (Japão)

Melhor Animação
WALL•E

Melhor Fotografia
Quem Quer Ser um Milionário?, Anthony Dod Mantle

Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
A Duquesa 

Melhor Documentário
Man on Wire

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Smile Pinki

Melhor Montagem
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin ButtonGreg Cannom

Melhor Trilha Sonora
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhores Efeitos Visuais
O  Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Canção Original
“Jai Ho”, Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Curta de Animação
La Maison en Petits Cubes

Melhor Curta-Metragem
Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som
Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Mixagem de Som
Quem Quer ser um Milionário?

 

Confiram abaixo, o vencedor do Oscar de melhor curta-metragem de animação (em duas partes):

(Pessoal, os videos foram retirados do ar no Youtube, por solicitação dos produtores… por enquanto, sem chance) 😡

Ladrão de Sonhos (1995)

A Cidade das Crianças Perdidas

A criatividade de Jean-Pierre Jeunet parece não ter limites ao criar mundos fantásticos em sua surrealidade e estranheza, ainda mais no período em que tinha Marc Caro como parceiro. Com uma ambientação semelhante à de “Delicatessen” (outro longa produzido pela dupla), Ladrão de Sonhos (La cité des enfants perdus) parece algo como uma visão moderna do ambiente criado no filme “Brazil”, de Terry Gillian, porém enquanto este último funcionava também como uma crítica à burocracia excessiva em nossa sociedade e o controle e utilização de informações de forma dominadora por um sistema ditatorial, o filme de Jeunet serve mais como exercício visual, uma viagem por um mundo de sonhos e pesadelos, esteticamente impressionante com suas fortes tonalidades de cores e contrastes.

Em uma torre no meio do oceano e cercada por um labirinto de minas aquáticas residem um cientísta que não consegue sonhar, uma anã, um cérebro “vivo” dentro de úma espécie de aquário e seis clones do “criador” de todos eles, que abandonou o lugar após perceber que todas suas criações resultavam desastrosas. Na esperança de curar seu mal, o cientista tenta roubar os sonhos de crianças que são raptadas e lavadas à torre, daí vem a desastrosa escolha para o infeliz título nacional do filme.

A história acompanha One, uma espécie de “gigante-não-muito-inteligente” interpretado por Ron Perlman, na busca por seu pequeno irmão adotivo que, assim como outras crianças da cidade, desapareceu nas mãos de estranhos seres conhecidos como “cyclops”. Para tal, One conta com a ajuda da jovem garotinha de rua Miette (Migalha), vivida pela absolutamente cativante Judith Vittet, que acaba desenvolvendo um amor pelo “gigante” que rivaliza com a pequena Matilda de “O Profissional”.

Apesar de diversos outros personagens excêntricos que povoam a cidade, os clones do “criador” interpretados pelo colaborar habitual de Jeunet, Domique Pinon, merecem destaque. Pinon possui uma capacidade incrível de utilizar suas caretas e expressões exageradas de maneira extremamente hilária, colocando as passagens com esses personagens entre algumas das melhores do longa.

Ainda que a estética de Ladrão de Sonhos se torne excessivamente plástica em determinados momentos, o filme é belíssimo e mesmo em suas situações mais grotescas podemos admirar a beleza do visual criado pelos dois imaginativos magos franceses.

Mais um filme altamente recomendado para aqueles que se cansaram um pouco dos enlatados despejados atualmente nas prateleiras das lojas e locadoras.

Avaliação: 4/5

Na Natureza Selvagem (2007)

Sabe aquele tipo de filme que mexe de verdade com a sua cabeça? Pois é, Na Natureza Selvagem (Into the Wild) foi um desses filmes pra mim… agora ele já faz parte da lista “filmes da minha vida“, ao lado de alguns outros que se tornaram pessoalmente importantes não apenas por seus roteiros brilhantes ou tomadas de cena inovadoras, mas por terem mexido de verdade comigo e com minha forma de pensar determinados aspectos da vida de maneira sincera e profunda.


Baseado em fatos reais, Na Natureza Selvagem, que tem roteiro e direção de Sean Penn, conta a história do jovem Christopher McCandless em sua busca por conhecimento e “iluminação”. Para tal, ele abandona sua família e tudo o que possui, partindo em uma jornada na sua maior parte em meio à natureza e distante de outros seres humanos. Inclusive podemos notar uma inquietação em seu estado de espírito em alguns dos momentos em que retorna, mesmo que de passagem, à “civilização”.

Quem me conhece há algum tempo sabe um pouco sobre meus próprios sentimentos a respeito da “sociedade”, dos seres humanos,  suas atitudes e relações e diversas outras coisas para as quais, muitas vezes, reajo de maneira radical e extremista. Pois esse é um dos motivos que, mesmo que eu não consiga explicar aqui em poucas palavras, me levaram a sentir tão tocado por esse filme.

Com atuações intensas, especialmente de Emile Hirsch (que interpreta Christopher), direção extremamente competente e segura e uma abordagem que não se rende à pieguice, Na Natureza Selvagem é um ótimo filme sobre, acima de tudo, a vida. Quando o protagonista descobre que “a felicidade só é real quando compartilhada”, minha maneira de ver algumas coisas já estava mudada para sempre.

Avaliação: 5/5